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FASHION

SCHIAPARELLI EM TOM MAIOR

Por Katarina Reis Teixeira Golden Black Winter N o desfile da Schiaparelli, a presentado em 7 de julho de 2025, durante a Paris Haute Coutur...

SCHIAPARELLI EM TOM MAIOR

Por Katarina Reis Teixeira

Golden Black Winter

No desfile da Schiaparelli, apresentado em 7 de julho de 2025, durante a Paris Haute Couture Week, a coleção outono/inverno 2025–2026, a passarela transformou-se em um verdadeiro palco de tensão escultural. Peças marcantes e volumosas, em tons de preto profundo e marrom terroso, ganharam vida entre detalhes dourados que cintilavam como relíquias.

A coleção foi concebida pelo diretor criativo Daniel Roseberry, que descreveu seu trabalho como uma busca por “algo que parecesse eterno”, refletindo sobre a permanência da arte e da alta-costura em um mundo cada vez mais acelerado. Essa ideia percorre toda a apresentação e ajuda a entender por que cada look parece carregar um significado que vai além da roupa, transformando a passarela em uma experiência estética e simbólica.

A atmosfera intensifica essa proposta. Uma passarela cilíndrica, envolta por uma escuridão quase absoluta, é iluminada apenas por feixes de luz, como pequenas luas artificiais que conduzem o olhar do público diretamente às silhuetas.

Nesse cenário de sombra e luz, cada passo parece ter o propósito de causar estranheza. As modelos avançam com uma lentidão quase ritualística, como se carregassem não apenas jóias, mas ideias — pesadas, densas e simbólicas.

Foto via schiaparelli.com
A força visual do desfile também chamou a atenção da crítica especializada. Para Sarah Mower, da Vogue Runway, a coleção carregava uma atmosfera de “escuridão e sombra”, mas de uma forma positiva, transformando o peso visual das peças em algo elegante e intencional. Já Alexandra Hildreth, da Elle, descreveu a experiência de assistir a uma apresentação da Schiaparelli como algo capaz de “prender a respiração”, destacando a maneira como Daniel Roseberry ultrapassa os limites da alta-costura ao unir surrealismo, técnica e imaginação.

As duas percepções reforçam a ideia de que a Schiaparelli não apresenta apenas roupas ou mais um desfile, mas constrói uma experiência completa. A apresentação não termina quando as modelos deixam a passarela; ela permanece na memória de quem assiste e desperta o desejo de fazer parte daquela narrativa. Mais do que adquirir uma peça, o público deseja sentir a energia, a identidade e o significado que ela carrega. 

Cada criação se transforma em uma extensão da arte, capaz de transmitir emoção, presença e personalidade para quem a veste. É nessa união entre estética, criatividade e sentimento que a marca transforma a alta-costura em algo que impacta não apenas quem observa, mas também quem sonha em fazer parte dessa história, usando as peças. 

Mais do que apresentar uma coleção, a Schiaparelli constrói uma narrativa. É um espetáculo em que o incômodo é cuidadosamente coreografado, o luxo assume um papel subversivo e o peso da arte, literalmente, veste o corpo.