Por Katarina Reis Teixeira
Antes na TV, agora vemos na internet
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| Foto via Pinterest |
A exposição indevida de menores sempre foi uma pauta esquecida entre os meios de influência, muitos deles até mais influentes do que os próprios aplicativos de entretenimento que temos hoje. Antes, víamos programas infantis dividindo espaço com dançarinas seminuas ou novelas que apresentavam personagens com “quase 18 anos”, em aparições, no mínimo, picantes, em pleno fim de tarde.
Digo isso com um objetivo: relembrar que essas apropriações sempre existiram e que você, em alguma medida, já consumiu ou apoiou esse tipo de conteúdo. Infelizmente, videoclipes de música pop, funk e até mesmo rock sempre recorreram à erotização extrema como forma de entretenimento. Ainda assim, muitos dizem: “Isso não é problema meu.” “Ah, mas a música é tão boa…”
Pois é. Quem escolhe ocupar um espaço de influência também precisa ter responsabilidade sobre aquilo ao que associa a própria imagem, porque o público que gera esse alcance está vendo. E isso vale para você com seus 300 seguidores também.
Tudo isso alimenta um comércio muito mais sombrio do que muitos imaginam.
Essa discussão não é baseada apenas em percepção. Dados do UNICEF, em parceria com a ECPAT International e a Interpol, mostram que 1 em cada 5 crianças e adolescentes brasileiros, entre 12 e 17 anos, sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano. A pesquisa também aponta que 34% das vítimas não contaram o ocorrido para ninguém, enquanto 49% dos casos envolveram alguém conhecido da vítima, reforçando que o perigo nem sempre vem de desconhecidos. (UNICEF)
Os números também mostram que o problema está longe de ser isolado. A SaferNet Brasil informou que, entre janeiro e julho de 2025, 64% de todas as denúncias recebidas pelo seu Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos estavam relacionadas ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, evidenciando que esse tipo de violência ocupa hoje o centro das preocupações no ambiente digital. (SaferNet Brasil)
E, para quem acredita que isso não tem importância, tenho uma notícia: influência sem responsabilidade não é influência, é oportunismo.
Fico feliz que esse tema finalmente esteja sendo discutido no ambiente digital, depois de tantos anos sendo tratado como entretenimento em diferentes meios de comunicação. O seu exemplo influencia o seu público e faz, sim, diferença quando o assunto é proteger crianças e adolescentes e impedir que inocentes continuem sendo vítimas de um mercado de exploração e aliciamento.


